C.A.N.O.A. - Centro de Artes Nativas Originárias das Américas

Sobre a C.A.N.O.A.

O Centro de Artes Nativas Originárias das Américas – C.A.N.O.A. – valoriza e promove a cultura dos povos e comunidades tradicionais por meio do comércio justo, consciente e participativo.

Fortalecer e gerar renda para as comunidades tradicionais e povos originários através da arte é nossa missão - reconhecendo sua importância no processo de autonomia e protagonismo destes povos. Em suas manifestações culturais não está apenas o fortalecimento das conexões ancestrais pelos saberes milenares e o processo dinâmico de inovações, mas a expressão de sua relação com o território e os recursos naturais - sendo, portanto, também uma importante ferramenta de conhecimento e luta pela permanência em suas terras.

Há quase duas décadas estabelecemos parcerias comerciais justas diretamente com artesãos, associações e cooperativas de vários cantos do Brasil. Dedicamo-nos para abarcar o conjunto dos povos tradicionais brasileiros; são povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, caiçaras e artesãos populares que têm sua arte representada em nosso acervo e escoada em nossa rede.

Nossa história

O Centro de Artes Nativas Originárias das Américas - C.A.N.O.A. - tem hoje um dos maiores acervos de arte indígena do Brasil, envolvendo mais de 40 etnias, e tornou Paraty uma referência para a valorização e o escoamento da arte indígena e popular. São mais de 20 anos de trajetória como agentes para estímulo e preservação da cultura dos povos indígenas do Brasil e das Américas através do comércio justo.

No fim dos anos 90, nossa fundadora e curadora, Nina Taterka, começou a ter contato com a arte indígena e estabelecer na cidade de Paraty um ponto para seu escoamento. Em 2009, fundamos o Armazém Paraty, consolidando um espaço físico para nosso acervo e fortalecendo nossa rede de atuação. Além da galeria, contávamos com uma tapiocaria e um espaço cultural onde acontecia o Samba dos Amigos.

De Armazém Paraty à C.A.N.O.A. Nesse processo consolidamos marca e conceito com intuito de gerar mais reconhecimento e valor para a arte indígena. Com isso, expandimos nossa rede de parceiros, nosso acervo e nossa estrutura, mantendo sempre o foco no respeito e apoio contínuo às comunidades e populações tradicionais a partir do escoamento de suas artes.

Paraty

Paraty e Ilha Grande receberam título de patrimônio mundial da Unesco, e é a primeira inscrição do país na categoria de sítio misto; ou seja, cultural e natural.

Nesta região de Paraty e Ilha Grande existem quatro terras indígenas, dois territórios quilombolas e 28 comunidades caiçaras que mantém vivas suas culturas, tradições e modos de vida. A C.A.N.O.A., há mais de 20 anos, reconhece e valoriza a importância destas comunidades.

Além das populações tradicionais, a cidade também abriga artistas populares, que reforçam a potencialidade do uso coletivo e sustentável do território. Tudo isso simboliza o caráter dinâmico que reconhecemos na relação entre a arte e o ambiente.

Paraty é espaço para diversos festivais e eventos, e simboliza um dos mais importantes polos culturais do país. Foi para esta cidade que Nina Taterka, idealizadora e curadora do C.A.N.O.A., mudou-se ainda criança e onde desenvolveu este projeto. O centro histórico, no qual localiza-se nossa loja física, é um local chave para a conexão entre a arte indígena, as comunidades tradicionais e o público de diferentes origens.

Depoimentos e parceiros

"São quase 15 anos que vendo bichinhos pra Nina, esta renda me ajuda muito pra comprar as coisas que eu preciso. É muito bom trabalhar com minha arte, na minha aldeia, poder cuidar dos meus filhos sem precisar ir muito pra cidade." - Inácio Mariano, Guarani Mbya da aldeia Itaxi em Paraty Mirim, Paraty, RJ.

"É necessário divulgar o patrimônio artístico ancestral da cultura para que o mundo conheça um pouco da nossa realidade e as práticas das operações e das rotinas dos povos indígenas... é uma honra ter este espaço de ciclo de interação de saberes tradicionais com a parceria com a CANOA que fortalece a cultura. Além disso sabemos que a renda da venda das artes é relevante para muitas famílias poderem comprar produtos básicos necessários para o dia a dia.” - Mayawari Mehinaku, professor graduado em línguas, artes literárias e artista em design estético, atualmente atua como presidente do Instituto de Arte Indígena Brasileira Xepi - Aldeia Kaupuna, Território Indígena Xingu, MT.

"Sou Ronaldo Mariano Rodrigues, trabalho com bichinho de madeira há mais de 20 anos, atualmente moro na aldeia Rio Bonito, Itamambuca - Ubatuba SP. Em Paraty encontrei a Loja Canoa que deu uma grande valorização na venda e, com isso, tive condições de viver da minha arte, por isso agradeço muito a Nina por essa parceria ha'evete (obrigado)!” - Ronaldo Mariano Rodrigues, Guarani, aldeia Rio Bonito, Itamambuca - Ubatuba, SP.

"A importância do artesanato: Para nós, povos indígenas, o artesanato representa as riquezas, conhecimento, pinturas, línguas, escrita e regras, onde cada objeto envolve muita sabedoria para ser confeccionado e não pode ser feito de qualquer maneira. É na natureza que encontramos os materiais necessários para expressar nossa cultura, por isso ela é tão importante. E também a valorização do nosso conhecimento em executar e passar adiante as habilidades de confecção do artesanato. Assim, produzimos nossa própria riqueza. Conheci a Nina no jogos dos povos indígenas em Tocantins e considero muito importante seguirmos trabalhando juntos e ajudando um ao outro.” - Reinaldo Okaraxowa Tapirapé, Aldeia Urubu Branco, município Confresa - MT.

"Meu nome é Pikyri Asurini, eu e as mulheres da minha comunidade gostamos de fazer nosso artesanato, porque além de vender para comprar o que precisamos , podemos também ensinar nossos filhos a fazerem artesanato e assim manter a nossa cultura de geração em geração.  A Nina tem nos ajudado a divulgar nossa cultura e contribuído para termos uma fonte de renda, nós gostamos muito de trabalharmos junto com ela." Pikyri Asurini, aldeia Ita'aka, Pará.

Curadoria e Pesquisa

Nossa curadoria busca conduzir o olhar para a singularidade diante da diversidade. Cada povo tem uma cultura e estética própria, e navegando por nosso site, ou passeando em nossa loja, você começa a perceber as diferenças estéticas entre os povos Baniwa, AM e Guarani-Mbya, RJ; ou mesmo entre os povos Kayabi e Mehinako, ambos habitantes da Terra Indígena do Xingu. São mais de 300 etnias que sobrevivem e resistem à colonização nesta terra que hoje chamamos Brasil, sendo que ainda preservamos 150 línguas faladas. Cada cesto, grafismo ou adorno carrega a expressão cultural de seu povo.

Na cultura indígena, o conjunto de expressões materiais são um reflexo do modo de vida. Cada objeto carrega em si simbologias ocultas e conhecimentos ancestrais desde seu modo de preparo, até seu uso original. Vivemos um processo de constante aprendizado, numa relação de troca de saberes uma vez que indígenas e não-indígenas não compartilham da mesma visão de mundo. Começamos a compreender por exemplo, que o povo Yanomami se conecta de forma circular com o mundo, e isso pode ser visto no desenho dos cestos, cortes de cabelo e na construção das aldeias. Para os Karajá, a cerâmica serve também como transmissão de saberes e prepara a criança para a vida adulta mostrando em esculturas cenas do cotidiano. No Alto Xingu, região que abarca vários grupos étnicos, as trocas materiais são sempre bem vindas e consequentemente os casamentos entre membros de grupos diferentes. A arte é inerente aos indígenas, e a vida pulsa através do fazer manual.

São mais de 20 anos de trabalho e curadoria, que foram formando relacionamentos fortes e sólidos com nossos fornecedores ao longo dos anos. Aprendemos a lidar com as distâncias, dificuldades de comunicação e outras formas de compreender e atuar neste comércio. Cada povo é único, e tem suas peculiaridades de produção e logística. Respeitamos o tempo de preparo, o modo de fazer e os acabamentos originais. Somos parceiros no escoamento da arte indígena, evitamos encomendas que possam alterar o ritmo natural e o modo de vida das aldeias e comunidades tradicionais, bem como alterações nas formas das peças e materiais utilizados. Recebemos muitos objetos tradicionais, mas inovações e diferentes matérias primas são bem vindos também.

Convidamos você a conhecer mais sobre os povos indígenas através da arte.

“Se a arte é a expressão da alma, a arte indígena é a expressão coletiva,
que expressa a alma de um povo.” 
Nina Taterka

Oralidade x Escrita

A oralidade é a forma tradicional de transmissão do conhecimento entre os povos ameríndios. Com o choque da colonização, veio também o impacto da escrita e suas consequências, trazendo mudanças significativas nestas sociedades.

As missões católicas foram as primeiras a registrar essas experiências, ainda no contexto do surgimento das colônias e, por um longo período, o posicionamento e as políticas das missões eram de aniquilamento da diversidade linguística nativa, sendo revista apenas recentemente, no século passado.

Com as revoluções científicas e o fortalecimento dos movimentos indígenas nos séc XX e XXI, linguistas, antropólogos e indigenistas passaram a desenvolver novos olhares sobre esta diversidade cultural. Os estudos e formações bilíngues entre estes povos passaram a servir como ferramentas e mecanismos de empoderamento.

Devemos levar em conta que a ortografização de idiomas indígenas de tradições orais é uma transformação destas ideias em símbolos no papel, com isso, não existe grafia correta e segue muitas variantes linguísticas. É comum, por exemplo, vermos referências aos Kayapó como caiapó. Em nossos textos sobre os produtos e etnias, fazemos uso das formas mais recorrentes.

Fontes

Visto que a transmissão de conhecimento entre os povos originários é de tradição oral, essa é também uma das marcas de nosso repertório. Ao longo de nossa história, clientes, amigos, viajantes, antropólogos, indigenistas e indígenas nos forneceram informações pessoais, teorias e práticas que enriqueceram nossos conhecimentos e ampliaram nossas fontes de informações. Ao mesmo tempo, fontes escritas, em livros e sites, nos quais se destacam a página pib.socioambiental.org.br, do ISA, e o Dicionário do Artesanato Brasileiro, de Berta Ribeiro, configuram também importantes referências. Ao longo desses anos, no frequente esforço de manter informações seguras e precisas, valorizamos a consulta a fontes confiáveis, mas também as trocas inerentes a uma cultura viva e oral.